O lado negro da moda no documentário “The true cost”

Marília Jardim

the true costNo último domingo eu decidi assistir algo relacionado à moda, para poder compartilhar aqui no blog. Encontrei o documentário The True Cost (“O verdadeiro custo”, em tradução livre) que aborda o lado negro e nem um pouco glamouroso da moda. O filme, de Andrew Morgan, disponível no Netflix, aborda a produção de peças em fábricas insalubres onde mulheres são exploradas, produzindo inúmeras peças e ganhando pouco pelo trabalho. Desrespeito aos direitos humanos, poluição ambiental, riqueza das grandes marcas e o consumo  desenfreado nosso de cada dia também estão na pauta do documentário.

Sem spoiler

De acordo com o site oficial, The true cost é “sobre as roupas que vestimos, as pessoas que as fazem e o impacto que a indústria tem no mundo”. O filme mostra que o preço das roupas caiu muito, nos últimos anos, às custas do crescimento dos danos ambientais e desrespeito aos direitos humanos. Além de viajar por vários países para entrevistar os trabalhadores das fábricas das roupas que vão paras araras das lojas mais cobiçadas do fast fashion, o documentário também traz a fala de grandes empresários e o que eles fazem em relação a sustentabilidade de sua marca. Também tem outro ponto importante: a preocupação ambiental em relação à moda, tanto das fábricas, na agricultura que produz  o algodão das roupas, quanto do descarte de nossas peças pessoais, já que, por mais que a gente doe, em algum momento esse monte de tecido vai parar no lixo, sem um fim apropriado.

Primeira impressão

Eu tive que parar o documentário na metade, com nó no estômago e a decisão de nunca mais comprar em fast fashions , em uma reação tão drástica quanto a de decidir parar de comer carne depois de assistir A carne é fraca. Não, eu não parei de comer carne, nem vou parar de comprar em lojas populares, mas acredito que a reação significa que eu me importo e que a realidade, nua, crua e sem glamour mexeu comigo. E quando algo incomoda, a gente sente que precisa fazer algo a respeito.  O primeiro passo foi acrescentar a expressão ‘consumo consciente’ na lista de metas fashion de 2016. O segundo é conversar a respeito, por meio do blog, nos encontros com as pessoas da área de moda. A terceira é buscar por marcas responsáveis que satisfaçam aos nossos desejos fashions sem desrespeitar o trabalho humano e o meio ambiente. Se eu vou conseguir, só o tempo dirá!

Vamos mudar?

Como eu disse lá em cima, a primeira coisa que dá vontade de fazer é jurar não comprar mais em fast fashions. A segunda é levantar placas contra os abusos das fábricas e das marcas. A terceira é entender que ser radical só vai te fazer parecer uma maluca no meio da multidão. Além do mais, o mercado de moda é um dos maiores do mundo, movimenta a economia e gera emprego e renda (legais e com os direitos dos trabalhadores garantidos, ok?!).

Não quero dizer que a gente deve desistir, ao contrário, o próprio filme mostra exemplos de empresas sustentáveis e conscientes. Outro exemplo, mais próximo, é um caderno de Tecnologia que a gente ganhou no Inova Moda – Verão 2016/2017, evento promovido pelo Sebrae ano passado, e que traz exemplos de engenharia verde e alternativas de produção ecologicamente corretas, com menos poluição e mais economia de água. Assim, se as empresas seguem essa cartilha na hora de produzir, podemos confiar que elas estão sendo éticas e politicamente corretas.

Por fim, aconselho ver o filme porque em tempos de repensar nossas ações de consumo, vide o Projeto 47 da Amanda Campelo e o #desafiodetoxfashion da Luly Mendonça, o documentário pode ser um bom pontapé empurrão inicial para quem quer começar a rever suas sacolas de compras, seus valores e seu papel no mundo em que vivemos.

Para saber mais

Encontrei dois posts sobre o filme para quem quiser saber mais

Documentário The True Cost, do site modefica.com.br

10 motivos para ver The True Cost, do site eaibeleza.com.br

Também tem o trailler oficial do filme, com legenda em português

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