Formation, a música mais importante do ano

Wagner Cardoso

Beyonce-Formation

Ano passado Azealia Banks escreveu no twitter que os Estados Unidos não gostam de mulheres negras de opinião. A cada dia essa afirmação se prova mais verdadeira. Nicki Minaj foi bastante criticada após questionar o fato de seu clipe não ter sido indicado na principal categoria no VMA. A própria Azealia é repreendida diariamente na rede social por seus comentários ácidos sobre o racismo. A mulher negra de opinião da vez é a Beyoncé, a artista negra mais importante e influente atualmente. Formation (Dirty) sua mais recente canção e clipes são, pela primeira vez na já longa carreira da cantora, extremamente críticos ao racismo que ainda nos atormenta. E, como não poderia deixar de ser, vem recebendo na mesma proporção elogios e reclamações.

Na cabeça de grande parte dos brancos do mundo, o racismo está diretamente associado à escravidão. E como esta não existe mais (na maioria dos países pelo menos), logo o racismo também não. O que eles não percebem que a segregação racial, padrões de beleza, diferença de oportunidades são todas formas de racismo.

Formation (Dirty), muito além de um batidão para dançar na balada, é uma música extremamente crítica, principalmente o tratamento da polícia para com os negros e o apoio ao movimento #BlackLivesMatter (em português, vidas dos negros importam). Assim como no Brasil e no mundo, o negro é mais facilmente relacionado à criminalidade, consequentemente é mais perseguido e muitas vezes inocentes são presos ou até mortos erroneamente por preconceito. A voz que inicia o clipe questionando o que aconteceu em Nova Orleans e narra o clipe é de Messy Mya, um youtuber ativista negro e gay, o qual denunciou a violência pública da polícia contra sua comunidade morto sob circunstâncias suspeitas. Beyoncé tocou numa ferida ignorada pela maioria americana e agora está colhendo as consequências disso.

beyonce-formation-looks-12

 

Não deu em outra, pessoas indignadas com o teor da canção subiram no twitter a hashtag #boycottbeyonce, por terem achado desrespeitoso, uma afronta à polícia, que “arrisca sua vida para manter a segurança da nação”, policiais desligaram suas TVs durante a apresentação de Beyoncé no Superbowl, políticos republicanos dizendo que ninguém deveria levá-la a sério, e até político canadense sugerindo que fosse proibida sua entrada no país.

Outra mensagem importante na letra de Formation é quando Beyoncé diz “I like my baby hair, with baby hair and afros” (Eu gosto do cabelo do meu bebê, com cabelo de bebê afro), uma referência aos comentários racistas que criticavam o cabelo crespo da filha da cantora. Uma mulher teve a audácia de criar uma petição online para que Jay Z e Beyoncé penteassem o cabelo da filha. E pasmem, conseguiu mais de 3000 assinaturas em apoio. Tem gente que não vê racismo nisso, porque o padrão de beleza caucasiano está enraizado. Cabelo bonito é o liso, olhos azuis e verdes são idolatrados e nariz tem que ser fino. “I like my negro nose with Jackson 5 nostrils” (eu gosto do meu nariz negro como manda os Jackson 5) proclama a Queen B. As características negras são tão bonitas quanto quaisquer outras. O cabelo crespo de “Bombril” da Blue Ivy e da Ludmilla são lindos, não feios como certas mulheres ricas acham.

blueivy

Formation já chega como a música mais importante do ano. Não por confrontar o racismo. Essa não é a primeira música a tratar do assunto. Mas é a que alcançou o maior público. Beyoncé era questionada por não ser representativa à comunidade negra, agora que empodera sua negritude é alvo de protestos. Para os brancos negro bom é o negro adestrado, aquele que se contenta com sua exclusão. São só esses que fazem sucesso. Michael Jackson, Rihanna, Nicki Minaj e a Própria Beyoncé são grandes porque abordavam assuntos globais, não tinham opinião. É por isso também que Azaelia Banks é um fracasso comercial, é uma mulher negra de opinião. Formation veio de uma artista grande e influente, uma pessoa realmente capaz de levar o racismo a debate às massas, apresentando para mais de 110 milhões de americanos no Superbowl. Como apontou o Portal Famosos Brasil, se não fosse por ela, o legado de Messy continuaria no anonimato, e sua existência obliterada. “Stop shooting us” (Parem de atirar em nós) pede a cantora.

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