Matiza

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Amanda Campelo

Vira e mexe a gente navega pelas internê e encontra projetos que nos enchem de amor. E eu não sei vocês, mas quando isso acontece comigo quero logo pegar os links e sair compartilhando com todo mundo pra que todos sintam o mesmo amor que eu hihi Numa dessas andanças eu encontrei a Luiza que é a “mãe” da Matiza e cá estou eu compartilhando com vocês :3 Olha só o papo que bati com ela!

– Primeiro queria que te apresentasses.

Meu nome completo é Luiza Normey, sou designer gráfico, recém sai do meu antigo trabalho para me dedicar somente à minha loja virtual e minha pós-graduação na Espanha. Estou nesse segmento arte/design porque desde criança o que eu mais gostava de fazer era desenhar.

– A Matiza surgiu na época em que tavas concluindo teu curso de Design, mas como chegaste a esse tema? Como surgiu essa ideia..

A Matiza-livro realmente surgiu na graduação para ser tema do meu tcc. Em meio de crises na faculdade, fiz uma disciplina de desenho de personagem em que o professor comentou que meu estilo era perfeito para literatura infantil. Isso abriu minha cabeça e percebi que o tema me fascinava e decidi fazer um livro pro meu tcc. A história seria sobre psicologia das cores porque foi uma disciplina que tive no começo do curso que gostei bastante. E por fim, escolhi fazer tudo em aquarela porque no fim das faculdade fiz uma optativa que ensinava a pintura desde o básico e resolvi continuar experimentando.

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– Quais as tuas principais inspirações e como funciona o teu processo criativo?

Minhas inspirações estão muito ligadas à minha infância. A natureza, o mar, sempre estão presentes nas minhas pinturas, e as ideias para as tirinhas cacheadas vêm do meu dia a dia. Tudo baseado em fatos reais! hahaha Meu processo criativo depende muito das ideias… no caso das pinturas, tem vezes que apenas tenho vontade de pintar tal coisa e faço meio que sem pensar. A maioria das vezes fico olhando referências de imagens na internet para buscar inspiração, e algo que faço muito é ficar dando print no Instagram o tempo todo para guardar ideias pro futuro. No caso das tirinhas eu apenas vivo meu dia e se no meio dele algo relacionado com meu cabelo acontece, eu anoto no meu caderninho e depois em casa bolo uma ilustração.

– Qual o teu objetivo com esta personagem? Seria a questão da representatividade?

Sinceramente eu não tinha pensando em representatividade… a única coisa que eu queria era explorar o mundo das cores e contar uma história sobre uma menina que não se sentia identificada em nenhum lugar ou grupo social. No fim a protagonista descobre que ela tem um pouco de cada coisa dentro dela, que a faz única e mesmo assim pode conviver bem com o resto das pessoas.

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– Vi que nos teus trabalhos de aquarela o empoderamento dos cachos é muito presente. De que forma tu achas que isso pode contribuir com esse debate da identidade e valorização dos cachos?

Eu acho que o principal é mostrar que isso existe, que tem gente pra caramba no mundo que quer aceitar seu cabelo, tem dificuldades, mas está querendo aprender, aceitar e se valorizar. Também é uma forma de positivar essa característica que a sociedade ainda não aceita muito bem. Acho muito legal quando o pessoal se identifica com os dilemas cacheados que desenho, e você percebe que não está sozinha no mundo. No futuro quero juntar tudo e fazer um livro para crianças e adultos sobre o tema 🙂

– Já aconteceu alguma situação em que uma pessoa que acompanha o teu trabalho ser, de certa forma, grata por se sentir representada?

A maioria! Recebo várias mensagens por dia, normalmente elogiando e agradecendo pelos desenhos. Eu se estivesse do outro lado também ficaria contente, principalmente se ainda fosse criança, em ver tantas imagens e histórias me representando.

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– Agora sobre a execução do teu trabalho, quais técnicas tu utilizas com mais frequência?

Eu uso basicamente lápis/lapiseira para desenhar e aquarela para pintar. Outros materiais servem apenas de suporte, como o lápis de cor, tinta acrílica, e canetas tipo Posca.

– No “sobre” do site tu dizes que não usa técnica digital, por que essa opção?

Na faculdade fui obrigada a fazer tudo no computador, e em todos meus trabalhos foi assim também. Chegou num ponto que eu já estava com tanta dor nas costas, no olho, e com tendinite no braço que percebi que não nasci para isso, haha. Mesmo assim continuei trabalhando no computador por anos e em casa eu aproveitava para pintar com tinta e relaxar. As coisas manuais para mim agora representam liberdade e conforto, e pintar digitalmente já está virando quase uma tortura.

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– Qual conselho tu dá pra quem vai ler esse post? Pode ser sobre a luta por representatividade, design ou retomar projetos bacanas mesmo depois de um tempinho.

Bom, o que normalmente tento incentivar as pessoas é a não largar as coisas porque não está bom. Às vezes, você pode não estar desenhando muito bem, mas se tem boas ideias, isso no fim é o que mais importa. Acho que jogar suas coisas no mundo é o melhor a se fazer, mesmo achando que ainda não é o momento. Foi só quando criei a página da Matiza que realmente voltei a desenhar, apareceram oportunidades, e pude finalmente me dedicar ao que realmente gosto, mesmo não acreditando que meu nível técnico esteja no ponto certo que minha cabeça acredita.

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