Carla Lemos

Fotografia: Iury Vicenzo.

Fotografia: Iury Vicenzo.

Oi, eu sou Carla Lemos, eu sou dos anos 1980 e sou tocadora de terror da sociedade, acho que essa é melhor forma de me definir hoje em dia, a
gente tá aqui pra confundir, desorganizar todo mundo. Mas assim, meu look foi super básico, porque como o Pará é bem quente, eu aproveitei para botar todas as coisinhas de alça, porque no Rio de Janeiro o tempo tá muito instável e eu tava sentindo falta desse verão. Então peguei esse vestido aqui, que é o vestido de uma marca de uma leitora minha maravilhosa lá do Rio, é uma marca independente e eu amo o trabalho dela porque a modelagem é muito bem feita, tipo, aqui a alcinha é mais compridinha para tampar a gordurinha do sutiã, porque todo mundo se incomoda, aí tipo, tenho um macacão de malha dela que tem forro pra não ficar marcando quando cê usa calcinha, não sei o que, então é uma marca que eu trouxe, quando é marca das minhas leitoras eu fico orgulhosinha. Melissinha básica porque é meu uniforme, ou eu uso ela ou uso tênis. Vestido floral, caprichei no make, eu estava com o batonzão escuro que saiu porque aqui a gente só come, então a comida levou o batom, e muito iluminador. A gargantilha chegou essa semana lá no QG de uma leitora fofa e ela mandou várias gargantilhas e eu amei essa de pedrarias, não tava sabendo como usar, mas aí ‘ah, hoje vou botar, não vou botar brincão, vou botar gargantilha’.

Como trazer a tua personalidade pros teus looks? Cara, eu nem queria tanto, mas era uma coisa que sempre berrou na minha personalidade, meu mapa astral explica. Eu sempre fui diferentona, assim, desde criança. Minha mãe era a fashionista da família, então era louca pra comprar roupa, então ela saia pra ir pra Madureira comprar roupa e eu ficava feliz quando ela chegava com uma sacolinha pra mim, sabe? Meu presente favorito, que eu pedia pras minhas tias, era roupinha de Barbie porque eu ficava brincando de trocar de roupa, trocar os looks e nem era pra fazer desfile, era só pra ficar trocando os looks, fazendo penteado. Daí eu sempre fui assim sempre gostei de coisas diferentes, na adolescência eu tinha licença poética de usar coisas esquisitas, ‘ah, a Carla gosta dessas coisas de moda ‘é a diferentona, então acho que sempre foi essa característica minha, então sempre usei a minha criatividade na moda, na forma como eu me vestia e que acabou depois se refletindo profissionalmente, porque eu trabalhei muito tempo como styling até chegar no blog. Quer dizer, o blog me levou a carreira de styling, mas é basicamente isso. Então pra mim sempre foi muito natural, então esse tempo com Modices eu vi realmente a importância disso e como isso afeta a gente em todos os sentidos, desde a representatividade até a questão da auto-estima e o efeito psicológico que as roupas têm na gente, que é uma coisa, um campo ainda pouco estudado a importância que a moda tem, né? Tá aqui cobrindo o corpo o tempo inteiro, a gente não pode sair de casa se não vai ser preso, é a segunda indústria do país e a gente fala muito pouco disso, então acho que é isso.

O que é moda pra ti? Moda é, hoje, um ato poítico, mas é cultura, expressão individual e a moda tá aí pra representar tanta coisa e ver a forma como as pessoas se vestiam quando eu tive aqui no Modices na estrada e eu fui no Marajó, daí eu fiquei lá e vi uma ave e vi que era igual o desenho da pintura de um índio e como a gente sempre usou isso, de usar de querer botar no corpo os valores que a gente acredita, serve muito pra isso, até as camisetas que a gente fica berrando que a gente quer, então moda é isso, já cheguei num ponto que moda é mais do que só o estilo e a identidade, moda pra mim também é ato político, é resistência, sabe, porque quando a gente quebra as regras da moda, a gente ousa desafiar o que a revista… Quando a Capricho destruiu nossos sonhos da adolescência que a gente não podia usar tal coisa e quando usa e se sente bem naquilo, a gente também tá fazendo nossa parte para um mundo melhor e um mundo sem padrões e com mais aceitação. Acho que a moda tem todo um potencial para ajudar no empodaramento das pessoas, ajudar as pessoas a se descobrirem e a importância do empoderamento estético, mas por muito tempo foi usada para oprimir, como forma de controle. Então, moda pra mim pode ter um papel muito fundamental nessa grande virada que a gente tá tendo, nesse despertar de consciência de descobrir nossa identidade, da gente descobrir quem a gente é individualmente e descobrir que mesmo sendo diferentes e sendo únicos com nosso estilo sem precisar se encaixar no estilo dos outros, a gente também….Acabei de me perder… Para finalizar, a moda pode ser um agente transformador.

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